Impostos em Portugal: quais são e qual a finalidade

Imagem de uma pasta com informações sobre impostos aberta, um celular com o aplicativo da calculadora e uma caneta preta em cima, além de uma caneca com café perto

Impostos em Portugal: quais são e qual a finalidade

Morar em qualquer país do mundo implica em ter que pagar impostos. A lógica disso é que o cidadão, por usufruir dos espaços e serviços da cidade, deve contribuir para a sua manutenção. Em Portugal, a situação não é diferente.

O que acontece é que, ao se comparar os impostos em Portugal e no Brasil, percebemos que em terras lusitanas há uma quantidade menor de impostos. Isso ocorre pelo fato de que, no país latino, os impostos são pagos a três esferas de governo: federal, estadual e municipal. Já no país europeu, a tributação se limita à União e às autarquias (municípios).

Se você vai se mudar para Portugal e quer entender melhor como funciona a tributação no país, leia este artigo desenvolvido pela Você Português. Além disso, se você quiser saber como ficar isento de impostos ao viajar para o país como turista, este texto também pode te interessar.

Imagem de uma pasta com informações sobre impostos aberta, um celular com o aplicativo da calculadora e uma caneta preta em cima, além de uma caneca com café perto

Índice do artigo

Quais são os impostos em Portugal?

Os impostos em Portugal se dividem nas seguintes categorias: sobre a Renda, sobre o Patrimônio, sobre Automóveis, sobre o Consumo e Especiais.

Alguns deles são bem parecidos à tributação brasileira em sua finalidade, como veremos a seguir.

Imposto sobre a Renda

Há três tipos de tributação sobre a renda no país ibérico: o Imposto sobre o Rendimento de Pessoas Singulares (IRS), o Imposto sobre o Rendimento de Pessoas Coletivas (IRC) e o Derrama.

O IRS equivale ao Imposto de Renda sobre Pessoa Física (IRPF) brasileiro e já foi explicado em detalhes no texto da Você Português sobre o Imposto de Renda em Portugal.

Já o IRC e o Derrama estão relacionados à tributação de empresas. O primeiro, equivalente ao Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), é pago ao governo federal. Por sua parte, o Derrama é um imposto municipal que tem como principal objetivo o financiamento de investimentos dentro do município.

Imposto sobre o Patrimônio

Em relação ao patrimônio, também existem três tipos de contribuição: o Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI), o Imposto Municipal sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis (IMT) e o Imposto de Selo (IS).

O IMI é bem parecido com o Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU) do Brasil. Trata-se de um imposto municipal relativo a qualquer imóvel que se tenha posse, seja casas, prédios, apartamentos, estabelecimentos comerciais ou demais construções. Ele incide sobre o valor patrimonial tributário, o que significa dizer que o valor é variável de acordo com a região de localização e a valorização daquele imóvel. No caso de imóveis urbanos (habitacionais, comerciais, industriais, etc), a taxa é variável entre 0,3% e 0,5%, que é fixada anualmente pelos municípios.

Já o IMT é aplicado quando há transmissão, a título oneroso, do direito de propriedade. Ou seja, quando se vende o imóvel e transmite a propriedade para outra pessoa. Ele é semelhante ao Imposto de Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) brasileiro. Ele é calculado em consonância ao valor do contrato, ou do valor patrimonial tributário dos imóveis, de acordo com o que for maior.

Por último, o IS é o imposto mais antigo de Portugal. Ele se refere a um valor fixo cobrado na realização de atos comerciais, contratos, documentos, títulos, papéis e demais situações jurídicas, incluindo as transmissões gratuitas de bens. No entanto, ele já não é mais tão aplicado.

Imposto sobre Automóveis

Os impostos sobre automóveis são: o Imposto Único de Circulação (IUC) e o Imposto Sobre Veículos (ISV).

O IUC veio para unificar os impostos e extinguir o Imposto Municipal sobre Veículos, Imposto de Circulação e o Imposto de Camionagem. Ao contrário destes últimos, ele é devido pela propriedade do veículo, independentemente do seu efetivo uso ou fruição. É bem parecido ao que conhecemos como Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA). Ele é cobrado anualmente e depende da idade, da categoria do veículo e do combustível que usa. Além disso, se ele for posterior a 2017, é preciso pagar um adicional ao IUC pelas emissões de CO2 para veículos mais poluentes. É preciso ficar atento à data de pagamento deste imposto, pois ela está atrelada ao mês de matrícula do automóvel, ou seja, quando foi emplacado.

Por sua parte, o ISV só é pago quando se adquire o veículo, uma única vez. Geralmente, o valor do imposto já está incluído no valor de compra. No entanto, qualquer transformação que altere as características do veículo pode implicar em uma tributação mais elevada e ser necessário uma complementação do imposto. Ele incide sobre carros, transportes de mercadoria, motorhomes, ciclomotores, triciclos e quadriciclos. O ISV será liquidado de acordo com as tabelas publicadas anualmente para os automóveis e uma tabela para os motociclos e outros.

Imposto sobre o Consumo

Só há um tipo de imposto referente ao consumo: o Imposto de Valor Acrescentado (IVA).

O IVA é um imposto aplicado às vendas ou prestações de serviços em Portugal. Ele é pago no momento da contratação do serviço ou compra do produto pelo consumidor ao vendedor, que recebe o valor e repassa à Autoridade Tributária e Aduaneira (AT).

Ele se aplica a diversos produtos, serviços ou atividades, e varia entre as alíquotas de 6% (reduzida), 13% (intermediária) e 23% (normal). Em restaurantes, a taxa aplicada é de 13% e vem discriminada na conta.

Os trabalhadores independentes ou empresas que comercializem e produzam produtos, ou prestem serviços em Portugal devem pagar esse imposto, apresentando uma declaração ao iniciar a atividade. Mas no caso de atividades de profissionais autônomos que se concretizem apenas em atos isolados, e não ultrapasse 25 mil euros, não há a obrigação de declarar o início da atividade.

Além disso, o IVA varia conforme a região de Portugal em que se vive:

IVA em:

Portugal Continental

Madeira

Açores

Normal

23%

22%

16%

Intermédia

13%

12%

9%

Reduzida

6%

5%

4%

Vale destacar que o Imposto de Selo (IS) pode ser aplicado ao consumo também, mas é incomum de ser encontrado pois, como explicado anteriormente, ele está caindo em desuso, e não pode ser cumulativo com o IVA.

Impostos Especiais de Consumo

Os impostos especiais também têm relação com o consumo, mas estão restritos a determinados produtos. São eles: o Imposto sobre os Produtos Petrolíferos e Energéticos (ISP), o Imposto sobre o Álcool e as Bebidas Alcoólicas (IABA) e o Imposto sobre o Tabaco (IT).

O ISP incide sobre produtos derivados do petróleo e, no geral, serve para taxar o consumo de combustíveis no país lusitano.

O IABA refere-se a todos os tipos de bebidas alcoólicas (como vinho, cerveja, vodka e uísque) comercializadas no território. Ele ainda inclui um imposto específico que incide sobre bebidas com adição de açúcar ou outros edulcorantes.

Por fim, o IT incide sobre qualquer produto relacionado ao fumo, como cigarros, charutos, cigarrilhas, tabaco de enrolar e cigarros eletrônicos.

Quem deve pagar os impostos em Portugal?

Toda e qualquer pessoa que viva em território português deve pagar os impostos descritos acima. Como explicado no início do texto, eles são uma forma de contribuir com os governos para utilizar os espaços e serviços da cidade. Isso inclui brasileiros que residem no país.

Vale lembrar que, para ter sua situação tributária regular, é necessário se cadastrar na Autoridade Tributária e Aduaneira em Portugal. Com isso, vai ser criado um NIF (Número de Identificação Fiscal), que equivale ao Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) do Brasil.

Isenção do IVA para turistas

Agora, se você está apenas viajando para Portugal como turista, saiba que você não precisa pagar o imposto sobre o consumo! O IVA, que vem embutido em serviços e produtos, não é imposto a quem não mora em Portugal.

Isso porque ele só se aplica a quem vive no país, seguindo a lógica de que ele foi criado para financiar os serviços públicos oferecidos à população –  o que não inclui os turistas.

Assim, quando você for viajar para Portugal, lembre-se de perguntar se o restaurante ou estabelecimento que você visitar oferece o tax free, que permitirá um reembolso desta tributação posteriormente.

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Visto para nômade digital Portugal: como funciona

Homem deitado em uma espreguiçadeira à beira de uma piscina com um computador no colo

Visto para nômade digital em Portugal: como funciona

Uma expressão que está super em alta ultimamente é a do “nomadismo digital”. O trabalho remoto era antes um processo devagar, que estava sendo implementado aos poucos na vida do trabalhador brasileiro. 

Até que, em 2020, chegou a pandemia da Covid-19 e a necessidade de isolamento humano. Com isso, as empresas foram obrigadas a se aliar à tecnologia, para encontrar uma forma de os seus empregados produzirem de suas próprias casas.  

Homem deitado em uma espreguiçadeira à beira de uma piscina com um computador no colo

As empresas aderiram ao modelo home office (como conhecemos) e se surpreenderam ao perceberem que a produtividade continuava a mesma – em alguns casos, era até mais alta. Com isso, mesmo com o retorno à presencialidade, foram pouquíssimos os lugares que abandonaram 100% a prática do trabalho online.

Para quem gosta do conforto do lar, essa possibilidade é muito melhor do que a rotina do escritório. Mas além disso, pessoas aventureiras também enxergaram uma grande vantagem que o trabalho remoto oferece: a chance de uma maior mobilidade. 

Foi então que a experiência como nômade digital ganhou força, e está cada dia mais conquistando seu espaço. Trabalhando apenas com um computador na mão, muita gente hoje pode exercer a sua atividade profissional em qualquer lugar do mundo – até mesmo em outro país.

Mas o que é isso? É possível passar mais de 90 dias em um país estrangeiro como nômade digital? E Portugal, é um bom lugar para a prática? Essas e outras perguntas a Você Português te responde neste artigo!

Se quiser se aprofundar ainda mais no tema, preparamos um ebook gratuito para guardar todas as informações necessárias para você saber. Acesse e baixe gratuitamente. 

Índice do artigo

O que é nômade digital?

Nômades digitais são pessoas que trabalham de forma remota em países estrangeiros. Elas podem fixar-se em um país específico ou, como o próprio nome indica, viver como nômades, mudando constantemente de lugar.

Portugal é um bom país para ser nômade digital?

Há uma oferta infinita de lugares para trabalhar como nômade digital. O mais legal deste tipo de trabalho, é a possibilidade de morar em locais que você sempre sonhou, ou até mesmo conhecer lugares novos, sem estar de férias.

E Portugal está entre os países mais procurados para exercer a profissão nessa modalidade. Ele foi classificado como o melhor país para nômades digitais pelo site Kayak. De acordo com a consultora imobiliária do Reino Unido Savills, Lisboa foi considerada a capital mundial do home office, devido a sua excelente qualidade e custo de vida. Além disso, a cidade ainda conta com um clima agradável, baixa poluição, acessibilidade aeroportuária e – o mais importante para o mundo digital – uma ótima velocidade de banda larga!

Como ser um nômade digital em Portugal?

    • A Lei de Estrangeiros portuguesa foi atualizada em 2022 e, no final do mês de outubro, foi criado um visto específico para os nômades digitais. Oficialmente, ele se chama “visto de residência (ou estada temporária) para o exercício de atividade profissional prestada de forma remota para fora do território nacional”.

Esse visto português permitiu a possibilidade de viver em terras lusitanas, tendo um emprego fixo no Brasil, ou até mesmo sendo freelancer. O visto abrange ambos os casos: o de trabalhadores subordinados e o de autônomos.

Há duas modalidades de visto para nômade digital que podem ser solicitadas, a depender da duração do seu contrato de trabalho, ou de prestação de serviços. No caso de uma previsão contratual superior a 12 meses, deve ser solicitado o visto de residência. Caso o seu contrato seja inferior a esse prazo, você deverá solicitar o visto de estada temporária.

Mas, é claro, é preciso cumprir com alguns requisitos estabelecidos pela lei para ter seu visto aprovado. São eles:

    • Comprovar que possui um trabalho remoto (seja empregado ou independente);
    • Comprovar rendimentos superiores a 4 salários mínimos portugueses, nos últimos 3 meses. Isto é, você deve receber um pouco mais de um salário mínimo português por mês (o salário mínimo em 2024 é 870€). Importante: esse valor deve ser proveniente da sua atividade profissional, ok? Não pode vir de outras formas de renda.

Quanto à documentação, são necessários:

    • Formulário do pedido de visto preenchido e assinado;
    • Duas fotos 3×4 (uma colada no formulário);
    • Passaporte original com validade que exceda em 3 meses a data prevista para o retorno;
    • Cópia autenticada do passaporte;
    • Seguro viagem com cobertura de, pelo menos, 1 ano;
    • Certidão de antecedentes criminais (com Apostila de Haia);
    • Requerimento para consulta do registro criminal português pelo AIMA;
    • Comprovante de rendimentos dos últimos 3 meses de 4 salários mínimos de Portugal (através de um extrato bancário e recibos de pagamento);
    • Documento que comprove a residência fiscal (imposto de renda);
    • Comprovante de atividade profissional. Aqui, é diferente em cada situação:

Para profissionais subordinados a um empregador:

    • Contrato de trabalho;
    • Promessa de contrato de trabalho;
    • Declaração do empregador que comprove o vínculo empregatício.

Para profissionais independentes:

    • Contrato de sociedade; ou
    • Contrato de prestação de serviços; ou
    • Proposta escrita de contrato de prestação de serviços; ou
    • Documento que comprove a prestação de serviços a uma ou mais entidades.

Vale destacar que para países-membro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), assim como nós, brasileiros, alguns documentos podem ser dispensáveis, como:

Seguro-saúde
Cópia da passagem aérea de retorno
Comprovantes de subsistência

Porém, para essa dispensa, o requerente deve apresentar um Termo de Responsabilidade assinado por um português ou alguém com residência legal em Portugal, que se responsabilize pelo solicitante do visto. Ou seja, que garanta alojamento, alimentação e passagem de volta (no caso de permanência irregular).

Procedimento do visto português de nômade digital

O pedido do visto, assim como os documentos descritos acima, deve ser encaminhado à empresa VFS Global. Ela é a empresa parceira oficial do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal, e atua como principal suporte para os consulados nos processos de emissão de vistos. Assim, os pedidos de visto para Portugal hoje, são processados nos Centros de Solicitações de Vistos da VFS

Os valores das taxas para solicitar o visto para nômades digitais em Portugal apresentam algumas alterações, pois são estabelecidas mensalmente e têm como base a cotação do euro.

Visto de residência: R$ 654,56 (taxa consular R$ 500,31 + taxa de transferência R$ 15,27 + taxa de processamento R$ 138,98) + serviços utilizados.

O prazo médio de processamento do Visto é de 60 dias a 90 dias, contados a partir do dia em que o requerimento é inserido no sistema de vistos. Portanto, o recomendável é que os solicitantes encaminhem o pedido do visto pelo menos 90 dias antes da data prevista para a viagem.

O carimbo é inserido no passaporte do titular pelo Consulado Português e tem validade de 120 dias. Após chegada em Portugal, o titular deve solicitar Autorização de Residência perante o órgão competente, que providenciará o seu Título de Residência.

E o mais legal é que, a partir do 5º ano de residência legal em Portugal, você já pode solicitar a sua naturalização portuguesa, tornando-se, assim, um cidadão europeu. Você sabia?

Quanto tempo eu posso ficar no país?

No geral, a autorização de residência é concedida por um ano, e tem que ser renovada pouco antes do vencimento deste período, no AIMA (novo órgão português que veio substituir o SEF), para verificar se os documentos levados no começo ainda são válidos.

Agora, se você deseja ficar menos de 90 dias no país lusitano, nem é preciso solicitar o visto para nômade digital. Isso porque a Lei de Estrangeiros permite que turistas fiquem até 3 meses no espaço Schengen. Mas atenção: se sua estadia se estender por um período superior, é necessário entrar com o pedido de visto.

Custos e procedimento do visto português de nômade digital

O pedido do visto, assim como os documentos descritos acima, deve ser encaminhado à empresa VFS Global. Ela é a empresa parceira oficial do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal, e atua como principal suporte para os consulados nos processos de emissão de vistos. Assim, os pedidos de visto para Portugal hoje, são processados nos Centros de Solicitações de Vistos da VFS

Os custos para a obtenção do visto dependem de qual o visto a ser solicitado. Além disso, o valor também acompanha a cotação do euro, por isso esse valor sempre sofre variações. Em dezembro de 2022, o valor para cada tipo de visto está em:

    • Visto para estada temporária: R$ 567,98
    • Visto de residência: R$ 653,18

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